sábado, 3 de setembro de 2016

9° Capítulo - Atitude


 Juh POV’S


              Para falar a verdade, eu realmente mal podia esperar para falar ‘’foi bom ué’’ quando pegasse o crush. Pois por uma benção cósmica, algumas das minhas amigas estavam tendo bastante sorte nesses dias.

              Eu literalmente queria que meu crush tomasse vergonha na cara e começasse a seguir os passos dos amiguinhos.
          
             Gabi, Mari e eu, estávamos conversando como sempre antes da aula. No refeitório, pois quase nunca aparecia alguém de manhã ou à tarde, apenas depois das três primeiras aulas, então ficávamos lá sempre que podíamos.

             Depois de alguns minutos, Rhay, Mily e Ana se juntaram a nós. E em seguida, fomos para a sala depois do sinal bater.

             As aulas logo começaram, me fazendo ficar entediada. Eu precisava de diversão. Ultimamente era só aula, trabalho e ensaio. Eu queria algo diferente.
    
            Quando chegou a aula de história, começamos a apresentar o trabalho que fizemos em grupo.
            Cada um leu a sua parte decorada, mesmo tendo os slides, pois alguns professores descontavam pontos quando liamos o slide em vez de ‘’explicar’’.
            As apresentações acabaram e a aula também. A próxima era de Educação Física, na qual o meu desanimo podia ser visto para qualquer um.

            O professor chegou na sala e depois de nos cumprimentar com um ‘’bom dia’’ pediu para que nós descêssemos para os vestiários e em seguida para a quadra.
                      
            Já nos vestiários, Jess e algumas das amigas delas se vangloriavam pelo corpo que tinham. Revirei os olhos e fui direto para a quadra, pois já tinha me arrumado. Havia colocado a regata branca com o símbolo da escola do lado esquerdo e a leggin preta esportiva, junto com os tênis branco que também fazia parte do uniforme de Ed. F do colégio.

            Fui andando até o pessoal que aglomerava esperando os outros para a aula começar. Parei do lado de Rhay e a observei.
            Ela estava com o cabelo preso em um rabo de cavalo, usava a regata branca debaixo de um moletom esportivo e a mesma leggin e o tênis que eu. Mas a garota parecia estar nervosa.

— O que foi? — a perguntei.
— Não gosto das aulas de Educação Física — ela me disse — Sempre pago micão.

            Ri do comentário dela.

Relaxa, as únicas que pagam micão aqui é as patricinhas. Chega até dar vontade de rir.
          Nós zuamos elas um pouco até os alunos se encontrarem todos na quadra. Em seguida o professor troxe os matérias para a aula, bolas de vôlei e de futebol e alguns bamboles e cordas.

          Todos se dividiram para jogar algum esporte, e eu fui na mesma rodinha que jogava corte com a bola de vôlei.
           Não posso negar, acertei Jess e as amigas dela em cheio de próposito. Depois que elas cansaram de ser acertadas pela bola de vôlei, sairiam e foram para a arquibancanda assoviar para os meninos que jogavam futebol.

          Quando parei um pouco para descansar, me virei para trás onde Thomas havia apontado e me deparei com uma cena fofinha; Max parecia tentar ensinar Rhay a jogar vôlei, e o professor torcia animadamente para os dois como se chegasse a shippar o OTP assim como nós.
          Antes de acabar a aula, o professor nos deu 10 minutos para descansar antes de subirmos para tomar banho.

          Nosso grupinho se encostou em uma parte da arquibancada e começamos a conversar. Logo em seguida o professor nos liberou para tomarmos banho e eu fui correndo para meu quarto, pois teria que trabalhar na rádio daqui a alguns minutos.

          Depois do banho, me vesti e fui direto para a rádio, pois já havia tocado o sinal do intervalo.
          Quando cheguei lá, Mark já tinha tomado posse do lugar. Ele virou se com a cadeira de rodinhas e me olhou com uma expressão maliciosa.

— Ai pae, o que tu colocou dessa vez?
           Ele deu uma risada fraca e eu fui olhar a playlist. Estava tocando Green Day e o resto era de BMTH. Deu um suspiro.

Menos mal. — falei.
— Nossa, que você acha que eu sou?
— O cara que tá doido pra colocar Inês Brasil aí.
— Eu posso? — ele perguntou.
— Hoje não, não estou com paciência para brincadeirinhas.
Tudo bem, desculpa.
— Sem problema.

           Mark se sentou na cadeira ao lado e começou a me encarar. Aquilo não chegava a ser desconfortável mais porque ele sempre fazia isso de vez em quando.

— O que foi?  — perguntei.
— Te fiz alguma coisa.
— Não. — falei — Só queria que você tivesse mais atitude. — essa última parte murmurrei baixinho.
— Hã?
— Nada.


         Depois do intervalo, eu estava literalmente me sentindo cansada, então deitei e acabei pegando no sono.
         Quando acordei de tarde, me lembrei que tinha esquecido meu pendrive no último ensaio.

          Fui então em direção a sala de música.
          Fiquei alguns minutos procurando aquele maldito pendrive até que o achei em cima de algumas folhas.

             Eu não chegava a ser tão curiosa assim, mas olha, o pendrive estava por cima de umas folhas suspeitas, então eu tive que olhar.

             Parecia uma letra de música...

Talvez esse seja meu problema,
Eu fico insano quando estou longe
E doido ao seu lado
Você me faz ficar nervoso só por estar perto de ti.

         A minha reação foi tipo ‘’owwwt que gracinha’’ assim que terminei de ler. Eu teria continuado a ler, porém o celular começou a vibrar no meu bolso.
         Olhei para o visor e vi que era Mark, atendi rapidamente.

— Alô?
— Alô, Juh? Eu meio que tô com uns problema. — disse ele na outra linha.
— O que aconteceu?
— Um dos equipamentos de som da rádio estragou, mas eu não sei como.
— Você tem certeza que não mexeu em nada?
— É sério, eu cheguei e já não estava funcionado mais. — disse Mark impaciente.

               Dei um suspiro.

— Okay, eu vou ir pra aí para tentar ajudar a resolver.
— Tudo bem.

         Depois de terminar a ligação, fui direto a rádio. Mas antes liguei para Lucas, um funcionário jovem que também trabalhava na rádio, e quando pegamos o emprego, ele nos explicou tudo o que teríamos que fazer.

          Quando cheguei no local, eu e Mark tentávamos vários jeitos para fazer o equipamento funcionar, mas não estava adiantando.

         Em um dos movimentos, acabamos nos esbarrando e ficando um de frente para o outro, muito próximos. Eu conseguia sentir o perfume de Mark mesmo não estando colados. Ficamos nos encarando por vários segundos, e eu tinha certeza que se não fosse por escutar passos vindos nos teríamos se beijado.
        Rapidamente, nos afastamos um do outro, e Lucas abriu a porta.
 
         Ele conseguiu achar o problema e resolveu. Depois disso, Mark e eu decidimos voltar para os dormitórios.


         Andávamos lado a lado em silêncio, até que o garoto quebrou o clima.

— Eu estava pensando, — começou ele — O que acha de irmos ao cinema um dia desses?

           Cinema né? Sei.

— Huum, vou pensar.

           Pude ver a animação dele sumir de sua expressão, e ri disso.

— Não foi um não. — falei.
— Mas também não foi um sim.
— Okay, depois do ensaio eu te dou a resposta.

           Ele revirou os olhos, mas em seguida deu um sorriso de lado.
— Tudo bem.

             Voltei ao meu quarto, e depois das duas aulas, tomei um banho para aliviar o estresse do dias. 
            Coloquei uma roupa básica e fui com as meninas para o ensaio.

             Foi realmente cansativo, as coreografias que ensinavam a gente eram bem difíceis, o pior seria para cantar e dança-las.
             Nós ensaiamos umas cinco vezes as coreografias inteiras, e depois que acabaram, vimos que os meninos estavam mais cansados que a gente.

             Depois de se recompor, fui até Mark, que estava sentado em uma das cadeiras, bebendo água em uma enorme garrafinha.

— Ei Mark. — falei me aproximando.
— Ei ... — disse ele um nervoso.

             Acho que o deixei atordoado demais por fazê-lo esperar pela resposta do convite.

— Eu fiquei pensando no seu convite de ir para o cinema e ...
— E? — Ele se posicionou para frente esperando minha resposta.

              Vacilei por um segundo, mas eu realmente queria.

— E eu aceito. Quando vai ser?