Juh POV’S
Para falar
a verdade, eu realmente mal podia esperar para falar ‘’foi bom ué’’ quando
pegasse o crush. Pois por uma benção cósmica, algumas das minhas amigas estavam
tendo bastante sorte nesses dias.
Eu
literalmente queria que meu crush tomasse vergonha na cara e começasse a seguir
os passos dos amiguinhos.
Gabi, Mari e eu, estávamos conversando como sempre antes da aula. No
refeitório, pois quase nunca aparecia alguém de manhã ou à tarde, apenas depois
das três primeiras aulas, então ficávamos lá sempre que podíamos.
Depois de alguns minutos, Rhay, Mily e Ana
se juntaram a nós. E em seguida, fomos para a sala depois do sinal bater.
As aulas logo começaram, me fazendo ficar entediada. Eu precisava de
diversão. Ultimamente era só aula, trabalho e ensaio. Eu queria algo diferente.
Quando chegou a aula de história, começamos a apresentar o trabalho que
fizemos em grupo.
Cada um leu a sua parte decorada, mesmo tendo os slides, pois alguns
professores descontavam pontos quando liamos o slide em vez de ‘’explicar’’.
As apresentações acabaram e a aula também. A próxima era de Educação
Física, na qual o meu desanimo podia ser visto para qualquer um.
O professor chegou na sala e
depois de nos cumprimentar com um ‘’bom dia’’ pediu para que nós descêssemos para
os vestiários e em seguida para a quadra.
Já nos vestiários, Jess e algumas das amigas delas se vangloriavam pelo
corpo que tinham. Revirei os olhos e fui direto para a quadra, pois já tinha me
arrumado. Havia colocado a regata branca com o símbolo da escola do lado
esquerdo e a leggin preta esportiva, junto com os tênis branco que também fazia
parte do uniforme de Ed. F do colégio.
Fui andando até o pessoal que aglomerava esperando os outros para a aula
começar. Parei do lado de Rhay e a observei.
Ela estava com o cabelo preso em um
rabo de cavalo, usava a regata branca debaixo de um moletom esportivo e a mesma
leggin e o tênis que eu. Mas a garota parecia estar nervosa.
— O
que foi? — a perguntei.
—
Não gosto das aulas de Educação Física — ela me disse — Sempre pago micão.
Ri do comentário dela.
— Relaxa, as
únicas que pagam micão aqui é as patricinhas. Chega até dar vontade de rir.
Nós zuamos elas um pouco
até os alunos se encontrarem todos na quadra. Em seguida o professor troxe os
matérias para a aula, bolas de vôlei e de futebol e alguns bamboles e cordas.
Todos se dividiram para jogar
algum esporte, e eu fui na mesma rodinha que jogava corte com a bola de vôlei.
Não posso negar, acertei
Jess e as amigas dela em cheio de próposito. Depois que elas cansaram de ser
acertadas pela bola de vôlei, sairiam e foram para a arquibancanda assoviar
para os meninos que jogavam futebol.
Quando parei um pouco para
descansar, me virei para trás onde Thomas havia apontado e me deparei com uma
cena fofinha; Max parecia tentar ensinar Rhay a jogar vôlei, e o professor
torcia animadamente para os dois como se chegasse a shippar o OTP assim como
nós.
Antes de acabar a aula, o
professor nos deu 10 minutos para descansar antes de subirmos para tomar banho.
Nosso grupinho se encostou em
uma parte da arquibancada e começamos a conversar. Logo em seguida o professor
nos liberou para tomarmos banho e eu fui correndo para meu quarto, pois teria
que trabalhar na rádio daqui a alguns minutos.
Depois do banho, me vesti e
fui direto para a rádio, pois já havia tocado o sinal do intervalo.
Quando cheguei lá, Mark já tinha
tomado posse do lugar. Ele virou se com a cadeira de rodinhas e me olhou com
uma expressão maliciosa.
— Ai
pae, o que tu colocou dessa vez?
Ele deu uma risada fraca e
eu fui olhar a playlist. Estava tocando Green Day e o resto era de BMTH. Deu um
suspiro.
— Menos mal. — falei.
—
Nossa, que você acha que eu sou?
— O
cara que tá doido pra colocar Inês Brasil aí.
— Eu
posso? — ele perguntou.
—
Hoje não, não estou com paciência para brincadeirinhas.
— Tudo bem,
desculpa.
—
Sem problema.
Mark se sentou na cadeira ao
lado e começou a me encarar. Aquilo não chegava a ser desconfortável mais
porque ele sempre fazia isso de vez em quando.
— O
que foi? — perguntei.
— Te
fiz alguma coisa.
— Não.
— falei — Só queria que você tivesse mais atitude. — essa
última parte murmurrei baixinho.
—
Hã?
— Nada.
Depois do intervalo, eu
estava literalmente me sentindo cansada, então deitei e acabei pegando no sono.
Quando acordei de
tarde, me lembrei que tinha esquecido meu pendrive no último ensaio.
Fui então em direção a
sala de música.
Fiquei alguns minutos
procurando aquele maldito pendrive até que o achei em cima de algumas folhas.
Eu não chegava a ser tão
curiosa assim, mas olha, o pendrive estava por cima de umas folhas suspeitas,
então eu tive que olhar.
Parecia uma letra de
música...
Talvez esse seja meu
problema,
Eu fico insano quando
estou longe
E doido ao seu lado
Você me faz ficar
nervoso só por estar perto de ti.
A minha reação foi tipo ‘’owwwt que
gracinha’’ assim que terminei de ler. Eu teria continuado a ler, porém o
celular começou a vibrar no meu bolso.
Olhei para o visor e vi
que era Mark, atendi rapidamente.
— Alô?
— Alô, Juh? Eu meio que tô com uns problema. — disse ele na outra linha.
— O que aconteceu?
— Um dos equipamentos de som da rádio estragou, mas eu não sei como.
— Você tem certeza que não mexeu em nada?
— É sério, eu cheguei e já não estava funcionado mais. — disse Mark
impaciente.
Dei um suspiro.
— Okay, eu vou ir pra aí para tentar ajudar a resolver.
— Tudo bem.
Depois de terminar a
ligação, fui direto a rádio. Mas antes liguei para Lucas, um funcionário jovem
que também trabalhava na rádio, e quando pegamos o emprego, ele nos explicou
tudo o que teríamos que fazer.
Quando cheguei no
local, eu e Mark tentávamos vários jeitos para fazer o equipamento funcionar,
mas não estava adiantando.
Em um dos movimentos,
acabamos nos esbarrando e ficando um de frente para o outro, muito próximos. Eu
conseguia sentir o perfume de Mark mesmo não estando colados. Ficamos nos
encarando por vários segundos, e eu tinha certeza que se não fosse por escutar
passos vindos nos teríamos se beijado.
Rapidamente, nos
afastamos um do outro, e Lucas abriu a porta.
Ele conseguiu achar
o problema e resolveu. Depois disso, Mark e eu decidimos voltar para os
dormitórios.
Andávamos lado a
lado em silêncio, até que o garoto quebrou o clima.
— Eu estava pensando, — começou ele — O que acha de irmos ao cinema um dia
desses?
Cinema né? Sei.
— Huum, vou pensar.
Pude ver a animação dele sumir
de sua expressão, e ri disso.
— Não foi um não. — falei.
— Mas também não foi um sim.
— Okay, depois do ensaio eu te dou a resposta.
Ele revirou os
olhos, mas em seguida deu um sorriso de lado.
— Tudo bem.
Voltei ao meu
quarto, e depois das duas aulas, tomei um banho para aliviar o estresse do
dias.
Coloquei uma
roupa básica e fui com as meninas para o ensaio.
Foi realmente
cansativo, as coreografias que ensinavam a gente eram bem difíceis, o pior
seria para cantar e dança-las.
Nós ensaiamos
umas cinco vezes as coreografias inteiras, e depois que acabaram, vimos que os
meninos estavam mais cansados que a gente.
Depois de se
recompor, fui até Mark, que estava sentado em uma das cadeiras, bebendo água em
uma enorme garrafinha.
— Ei Mark. — falei me aproximando.
— Ei ... — disse ele um nervoso.
Acho que o
deixei atordoado demais por fazê-lo esperar pela resposta do convite.
— Eu fiquei pensando no seu convite de ir para o cinema e ...
— E? — Ele se posicionou para frente esperando minha resposta.
Vacilei por um
segundo, mas eu realmente queria.
— E eu aceito. Quando vai ser?