Mari POV’S
A
única coisa que eu não queria estar fazendo ali naquele momento era fazer
aquele maldito dever de matemática. Mas olha só o que eu estava fazendo?
Exatamente, o dever.
Minha cabeça
estava cheia de pensamentos, longe de estarem relacionados a escola.
Olhei mais uma
vez para o caderno na minha mesa de estudos, e desisti. Meus pensamentos não me
deixavam o terminar. Assim, peguei um casaco e saí de meu dormitório, numa
tentativa de relaxar.
Nada de
diferente acontecia e isso me deixava entediada. O ritmo que as aulas e o tempo
passavam estavam me matando de cansaço. Até mesmo a banda, parecia seguir em um
ritmo lento.
Dei uma volta
no pátio externo da escola, totalmente sem rumo. Costumava ser tão entediante assim?
Passei pela
quadra, vendo meus amigos jogarem felizes por ali. Mark, Max, Isaac e Thomas
jogavam algum tipo de futebol. Estranhei, pois, eles se empurravam mais do que
passavam a bola.
Em algum
momento, Thomas marcou um gol no time adversário. Ele comemorou indo abraçar
Gabi, que estava na arquibancada. Os dois havia oficializado o namoro depois de
alguns dias depois do beijo que rolou quando eles mataram aula.
Todos nós
ficamos bastante felizes pelos dois. O mesmo com Thay e Karl, que mesmo sendo
uma surpresa para mim, não deixei de shippar.
Enquanto eu
ainda olhava para eles, percebi um olhar sobre mim. O cacei e pude identificar,
Isaac.
Ele me olhava
seriamente, mas era tão profundo que nem parecia realmente Isaac que me olhava.
Aquilo estava muito estranho, não consegui reconhecer aquele olhar.
Percebendo que
ele não ia parar de me encarar daquele jeito, dei meia volta e fui para o pátio
externo.
Acabei indo
para a sala de música, hoje não teria ensaio então eu poderia ficar livre lá,
ou foi o que pensei.
Quando cheguei
lá, pude ver Kai tocando algo em seu violão. Ele não havia percebido a minha
presença, o que foi bom, pois ele continuou tocando a música.
Não tinha
certeza, mas acho que ele cantava Paper Hearts. A voz rouca parecia combinar
perfeitamente com a música, e o garoto não desafinou nem uma vez.
Fiquei na porta
esperando ele terminar, pois não queria que Kai parasse por causa da minha
presença.
Quando
terminou, ele continuou com os olhos fechados, como se cantasse profundamente.
— Bela música. — falei o dando um susto.
Ele quase deu
um pulo da cadeira, e em seguida me olhou ficando violentamente vermelho.
— Por que não me avisou que estava aí, que vergonha. — ele
disse baixo, porém pude ouvir, Kai colocou as mãos no rosto, o cobrindo.
Ri dele.
— Por que a vergonha? — falei rindo e me sentando na cadeira
próxima a sua — Você canta muito bem.
Ele deu um
sorrisinho tímido.
— Você acha? — Kai me perguntou.
— Claro.
— Obrigado.
Passou se
alguns segundos em silêncio e Kai parecia ficar nervoso. O garoto se remexia na
cadeira e passava a mão pelo violão. Acabei por tendo uma ideia.
— O que você acha de fazermos um cover juntos? — o perguntei.
— Como?
— Um cover, nós dois cantando. Topa?
Ele balançou a
cabeça, aprovando.
— Pode ser, qual música?
— Huum. Qualquer uma que você consiga cantar.
— Não acha que seria melhor alguma música que um casal cante?
— Kai perguntou.
— Pode ser, mas não precisa ser de casal. —falei — Eu —
— O que não precisa ser de casal? — perguntou Isaac me
interrompendo.
Nem havia
percebido quando ele tinha entrado, mas fiquei sem respostas para pergunta,
pois a surpresa de ele entrar naquele momento ainda não tinha passado.
Acabamos
ficando em silêncio, Kai também não respondeu.
— Não vão me responder? — ele perguntou impaciente — Eu fiz
uma pergunta. O que não precisa ser de casal?
— A música. — disse Kai — Nós íamos fazer um cover.
Isaac o encarou
por alguns segundos e cerrou os olhos.
— Isso é verdade? — ele me perguntou.
— Si—
— Como assim ‘’isso é verdade’’? — Kai me interrompeu — Por
que tá desconfiando de mim?
— Eu tinha dirigido a pergunta a Mari, não você.
— I daí? E eu te fiz outra pergunta.
— Não te interessa.
Kai se levantou
rapidamente e ficou de frente pra Isaac.
— Ei gente! Aqui não, por favor. — falei me colocando no meio
dos dois.
Eles
continuaram se encarando, mas Isaac me olhou por milésimos e saiu nos deixando
confusos.
— Qual o problema desse cara? — Kai murmurou baixo.
Suspirei fundo
e combinei de eu e o Kai fazermos o cover outro dia, pois meus pensamentos não
me deixariam se concentrar.
Fui até o
refeitório e encontrei Gabi e Thomas conversando animadamente em uma das mesas.
Normalmente eu os deixaria conversando sem atrapalhar, mas agora eu precisava de
ajuda ou dos conselhos deles.
Andei
lentamente, e me sentei na cadeira em frente a eles.
— O que foi? — perguntou Gabi num tom preocupado.
— Isaac está diferente esses dias ...
Contei a
história para os dois, desde o momento do jogo até a discussão na sala de
música.
— Hum, que estranho. — comentou Gabi com o cenho franzido,
mas Thomas estava com um sorrisinho de lado, como se soubesse de algo.
— Ah que isso, talvez não seja algo tão sério assim. — disse
o garoto.
— Tipo oque?
Ele fechou e
abriu a boca algumas vezes, pensando na resposta.
— Ah, sei lá. Ciúmes? — Thomas disse com a mesma expressão.
Pensei um
pouco. Seria mesmo possível que Isaac estivesse com ciúmes? Mas ele só tinha
sentimentos por mim antes do acidente.
— Mas Thomas, ele se esqueceu de tudo. Como é que ele teria
os mesmos sentimentos?
— Talvez ele tivesse se apaixonado de novo por você. — ele
tomou um gole do suco.
Fiquei
estática.
— Você tá de brincadeira, né? — falei.
— Eu estou apenas
supondo algo. Se quiser saber mais disso, por que não pergunta para ele?
— Não sei se consigo.
E ultimamente ele está estranho, tenho medo de levar uma resposta dura.
— Mas ... é o Isaac. —
começou Gabi — Ele realmente te daria uma resposta dura?
— Bom, ele é irmão do
Max. Não duvido que ele tenha aprendido algumas respostas com o Max.
Pensei em
inúmeras perguntas e respostas do comportamento diferente do Isaac, mas nada
pareceu se coincidir. E aquela frase do Thomas ainda ecoava na minha mente.
Talvez Isaac tivesse se lembrado de algo. E Max finalmente havia o mostrado a
carta. Mas eu continuava confusa. O que realmente tinha acontecido com Isaac?
Nenhum comentário:
Postar um comentário