terça-feira, 15 de maio de 2018

10° Capítulo - Ciúmes?



Mari POV’S


         A única coisa que eu não queria estar fazendo ali naquele momento era fazer aquele maldito dever de matemática. Mas olha só o que eu estava fazendo? Exatamente, o dever.

         Minha cabeça estava cheia de pensamentos, longe de estarem relacionados a escola.

         Olhei mais uma vez para o caderno na minha mesa de estudos, e desisti. Meus pensamentos não me deixavam o terminar. Assim, peguei um casaco e saí de meu dormitório, numa tentativa de relaxar.

         Nada de diferente acontecia e isso me deixava entediada. O ritmo que as aulas e o tempo passavam estavam me matando de cansaço. Até mesmo a banda, parecia seguir em um ritmo lento.

         Dei uma volta no pátio externo da escola, totalmente sem rumo. Costumava ser tão entediante assim?


         Passei pela quadra, vendo meus amigos jogarem felizes por ali. Mark, Max, Isaac e Thomas jogavam algum tipo de futebol. Estranhei, pois, eles se empurravam mais do que passavam a bola.

         Em algum momento, Thomas marcou um gol no time adversário. Ele comemorou indo abraçar Gabi, que estava na arquibancada. Os dois havia oficializado o namoro depois de alguns dias depois do beijo que rolou quando eles mataram aula.

         Todos nós ficamos bastante felizes pelos dois. O mesmo com Thay e Karl, que mesmo sendo uma surpresa para mim, não deixei de shippar.

         Enquanto eu ainda olhava para eles, percebi um olhar sobre mim. O cacei e pude identificar, Isaac.

         Ele me olhava seriamente, mas era tão profundo que nem parecia realmente Isaac que me olhava. Aquilo estava muito estranho, não consegui reconhecer aquele olhar.

         Percebendo que ele não ia parar de me encarar daquele jeito, dei meia volta e fui para o pátio externo.
        
         Acabei indo para a sala de música, hoje não teria ensaio então eu poderia ficar livre lá, ou foi o que pensei.

         Quando cheguei lá, pude ver Kai tocando algo em seu violão. Ele não havia percebido a minha presença, o que foi bom, pois ele continuou tocando a música.

         Não tinha certeza, mas acho que ele cantava Paper Hearts. A voz rouca parecia combinar perfeitamente com a música, e o garoto não desafinou nem uma vez.

         Fiquei na porta esperando ele terminar, pois não queria que Kai parasse por causa da minha presença.

         Quando terminou, ele continuou com os olhos fechados, como se cantasse profundamente.
— Bela música. — falei o dando um susto.
         Ele quase deu um pulo da cadeira, e em seguida me olhou ficando violentamente vermelho.
— Por que não me avisou que estava aí, que vergonha. — ele disse baixo, porém pude ouvir, Kai colocou as mãos no rosto, o cobrindo.
         Ri dele.

— Por que a vergonha? — falei rindo e me sentando na cadeira próxima a sua — Você canta muito bem.
         Ele deu um sorrisinho tímido.

— Você acha? — Kai me perguntou.
— Claro.
— Obrigado.

         Passou se alguns segundos em silêncio e Kai parecia ficar nervoso. O garoto se remexia na cadeira e passava a mão pelo violão. Acabei por tendo uma ideia.

— O que você acha de fazermos um cover juntos? — o perguntei.
— Como?
— Um cover, nós dois cantando. Topa?

         Ele balançou a cabeça, aprovando.

— Pode ser, qual música?
— Huum. Qualquer uma que você consiga cantar.
— Não acha que seria melhor alguma música que um casal cante? — Kai perguntou.
— Pode ser, mas não precisa ser de casal. —falei — Eu —
— O que não precisa ser de casal? — perguntou Isaac me interrompendo.

         Nem havia percebido quando ele tinha entrado, mas fiquei sem respostas para pergunta, pois a surpresa de ele entrar naquele momento ainda não tinha passado.

         Acabamos ficando em silêncio, Kai também não respondeu.

— Não vão me responder? — ele perguntou impaciente — Eu fiz uma pergunta. O que não precisa ser de casal?
— A música. — disse Kai — Nós íamos fazer um cover.

         Isaac o encarou por alguns segundos e cerrou os olhos.

— Isso é verdade? — ele me perguntou.
— Si—
— Como assim ‘’isso é verdade’’? — Kai me interrompeu — Por que tá desconfiando de mim?
— Eu tinha dirigido a pergunta a Mari, não você.
— I daí? E eu te fiz outra pergunta.
— Não te interessa.

         Kai se levantou rapidamente e ficou de frente pra Isaac.

— Ei gente! Aqui não, por favor. — falei me colocando no meio dos dois.

         Eles continuaram se encarando, mas Isaac me olhou por milésimos e saiu nos deixando confusos.

— Qual o problema desse cara? — Kai murmurou baixo.

         Suspirei fundo e combinei de eu e o Kai fazermos o cover outro dia, pois meus pensamentos não me deixariam se concentrar.

         Fui até o refeitório e encontrei Gabi e Thomas conversando animadamente em uma das mesas. Normalmente eu os deixaria conversando sem atrapalhar, mas agora eu precisava de ajuda ou dos conselhos deles.

         Andei lentamente, e me sentei na cadeira em frente a eles.

— O que foi? — perguntou Gabi num tom preocupado.
— Isaac está diferente esses dias ...

         Contei a história para os dois, desde o momento do jogo até a discussão na sala de música.

— Hum, que estranho. — comentou Gabi com o cenho franzido, mas Thomas estava com um sorrisinho de lado, como se soubesse de algo.
— Ah que isso, talvez não seja algo tão sério assim. — disse o garoto.
— Tipo oque?

         Ele fechou e abriu a boca algumas vezes, pensando na resposta.

— Ah, sei lá. Ciúmes? — Thomas disse com a mesma expressão.

         Pensei um pouco. Seria mesmo possível que Isaac estivesse com ciúmes? Mas ele só tinha sentimentos por mim antes do acidente.

— Mas Thomas, ele se esqueceu de tudo. Como é que ele teria os mesmos sentimentos?
— Talvez ele tivesse se apaixonado de novo por você. — ele tomou um gole do suco.

         Fiquei estática.

— Você tá de brincadeira, né? — falei.
— Eu estou apenas supondo algo. Se quiser saber mais disso, por que não pergunta para ele?
— Não sei se consigo. E ultimamente ele está estranho, tenho medo de levar uma resposta dura.
— Mas ... é o Isaac. — começou Gabi — Ele realmente te daria uma resposta dura?
— Bom, ele é irmão do Max. Não duvido que ele tenha aprendido algumas respostas com o Max.

         Pensei em inúmeras perguntas e respostas do comportamento diferente do Isaac, mas nada pareceu se coincidir. E aquela frase do Thomas ainda ecoava na minha mente. Talvez Isaac tivesse se lembrado de algo. E Max finalmente havia o mostrado a carta. Mas eu continuava confusa. O que realmente tinha acontecido com Isaac?




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