quinta-feira, 25 de agosto de 2016

6º Capítulo - Sentimento Diferente

Thomas POV’S


       Eu acordei me sentindo diferente. E posso te garantir, que todas as vezes que acordo assim, algo diferente realmente acontece.
     Me revirei na cama e olhei para Isaac, que ainda dormia em sua cama. Logo as perguntas ‘’acorda-lo ou não acorda-lo ’’ me veio à mente.
       Fui até o banheiro e lavei meu rosto primeiro, eu estava incrivelmente feliz e agitado. Me decidi o que fazer com Isaac. Peguei um copo grande e vazio que deixava na minha bolsa, caso estivesse alguma promoção de refrigerante grátis em algum lugar, e o levei até a pia, o enchendo de água.
       Andei até a cama dele e me posicionei para a zueira a seguir. Credo, eu estava me sentindo como um demônio, porque Isaac dormia tão delicadamente e com uma expressão angelical. Enquanto eu, sorria de orelha a orelha.
       Então, o acordei logo. Despejando água em seu rosto. Ele despertou rapidamente e olhou para o lado.
— Bom dia flor-do-dia. — precisei falar isso.
       Quando ele ia revidar, joguei mais água nele.
— Viado. — ele murmurou.
        Comecei a rir e saí de perto. Peguei algumas roupas limpas na cômoda e fui pro banheiro tomar um banho quente.
        Mesmo com o chuveiro ligado, pude ouvir um ‘’vai ter volta, seu viado’’ de Isaac do lado de fora. Não me contive e ri da situação.
        É claro que, como todo ritual do banho, tive que pensar na vida. As coisas estavam acontecendo tão rápido que eu não estava dando conta de absorver tudo. Mas eu estava feliz, acho que pra mim, isso que mais importava.
        Havia meu pai, que também estava feliz formando uma nova família com Aisha, que por sinal, me tratava mais como uma amiga íntima do que uma madrasta. E também, Rhay, minha nova irmã.
        Depois de tomar um bom banho, me enxuguei e coloquei a roupa. Quando saí do banheiro, Isaac estava deitado na cama olhando o celular e com uma toalha enrolada nos braços.
— Vou ir comer alguma coisa. — Falei.
— Okay, depois eu desço. — Disse Isaac com a atenção voltada para o celular.

        Fui até o refeitório e peguei meu lanche, me sentei na mesma mesa em que estavam Mark e Max.
        Mark parecia implicar algo com Max, que parecia estar um pouco impaciente.
— Ei gente. — Os cumprimentei.
— Ei Tommyzinho. — Disse Mark extremamente alegre.
— Aconteceu alguma coisa? — Perguntei.
— Aaah sim, aconteceu.
        Max colocou uma mão no rosto, o cobrindo.
— Mas eu vou te poupar dessa vez, Max. — disse Mark rindo.
— Ah muito obrigado. — Disse Max com um tom irônico na voz.
— Vou subindo mozões, até depois. — Disse Mark se levantando e indo.
— Oshe. — Murmurei.
 
      Olhei para Max, ele comia seu lanche desanimadamente, mas as vezes surgia um sorriso não identificado em seu rosto. E em seguida, tampava seu rosto com as mãos.
— O que foi? — Perguntei.
— Hã, nada.
—Você tá meio ... diferente.
    Ele me olhou surpreso e ficou um pouco desnorteado.
— Todo mundo tá me falando isso. — disse Max suspirando.
— Jess?
— Não, Rhay. — depois de dizer isso ele fechou os olhos em arrependimento.
— Oopaa. — falei em um tom de divertimento.
         Eu queria mesmo que Max entrasse em um novo relacionamento, mesmo que seja ou não com Rhay.
— Não aconteceu nada, tá? — disse Max se explicando nervosamente — Só conversamos e nos conhecemos um pouco, nada demais.
— Uhum.
— É sério!
       Comecei a rir, eu conseguia deixar Max irritado facilmente. Terminei meu lanche e fui escovar os dentes, em seguida, depois de bater o sinal da aula, fui para a sala.
       Estranhamente, eu estava literalmente desinteressado para a escola. Mal podia esperar para as aulas do dia acabarem e ir para o ensaio. A banda pra mim estava sendo como prioridade.
       Algumas vezes, eu olhava para a Gabi. Ultimamente, acho que estou muito rápido com ela, pois nos conhecemos mais ou menos a duas semanas, só que eu estava levando muito em consideração que ela é a única garota que me fez ficar assim. Mark até me disse que, se eu estava interessado em algo a mais do que só amizade, que eu devesse demonstrar mais isso, pois talvez ela acabe me considerando mais como amigo e me deixe na Friendzone.
       Seu olhar se encontrou ao meu, e ambos sorrimos. Isso chegava até ser involuntário.
       Na segunda aula, o professor havia faltado, mas deixou atividade; um resumo de um texto gigantesco. Risquei praticamente a folha inteira para fazer um ‘’resumo’’.
       Depois de alguns minutos, terminei a atividade e fiquei olhando para o nada. Hoje a sala estava estranhamente quieta, nem Mark e nem os alunos do fundão faziam bagunça. O clima estava de puro silêncio.
    
        Quando chegou a terceira aula, a professora de português nos levou a biblioteca da escola, para fazer um trabalho avaliativo com livros. Cada um tinha que escolher um livro e responder algumas perguntas.
— Não faço ideia de que livro vou escolher. — disse Miles do meu lado.
     Ri.
— Do que você gosta? — o perguntei.
     Depois de trabalhar na biblioteca do meu pai, acabei aprendendo como ajudar alguém a escolher o livro ‘’ideal’’.
Hum, futebol.
       Em alguns minutos, achamos um livro com uma capa ilustrada, de um garoto chutando uma bola.
— Serve?
— Sim, valeu Tommy. — disse Miles.
— De nada.

        Eu não havia escolhido nenhum livro, pois já tinha decidido que iria usar um dos meus favoritos. Não poderia reclamar, mesmo a biblioteca sendo grande, eu ainda preferia os meus, Isaac que as vezes reclama que nosso quarto é como uma segunda biblioteca. O que eu acho um exagero, pois se eu pudesse teria mais.
        A aula logo acabou e fomos para o pátio, já no intervalo. Sentamos como um grupinho nas mesas de concreto no pátio externo. Faltando apenas Juh e Mark, que trabalhavam na rádio da escola.
        Começamos a conversar sobre assuntos banais, até percebermos que o intervalo estava demorando demais. Não que eu tinha achado ruim, muito pelo contrário, só é incomum.
        Max e Isaac foram comer alguma coisa, pois estavam com fome e Mari e Rhay foram conversar com uma amiga delas, deixando eu e Gabi ­— que lia um livro — sozinhos.
        Eu estava em conflito com meus pensamentos, não sabia se eu devesse conversar ou não, pois ela estava lendo, e eu não queria a atrapalhar ou incomodar. Mas eu queria conversar.
        Acabei por ignorar os pensamentos e iniciar uma conversa.
— Soube da promoção de livros da Book’s Place? — a perguntei.
— Ah, nem me fale. — mesmo com um tom triste na voz, Gabi sorriu de lado — Queria estar torrando meu dinheiro naquela loja em vez de estar aqui na escola.
        Rimos. Acabei por ter uma ideia um tanto maluca por causa do comentário dela.
— O que acha de matarmos aula? — Perguntei sorrindo de lado.
        Ela deixou o livro de lado e me olhou receosa.
— Você tá falando sério? — Gabi me perguntou.
— Sim. Vamos? — Falei me levantando.
— Você tem certeza? Não tem como passar pelos portões, as tias da vigia não vão deixar.
— É só pular o muro, a avenida já é do lado do colégio.
        Por um momento, achei que ela fosse recusar. Mas a garota agarrou seu livro e me seguiu correndo.
        Paramos no beco da quadra, para ver se ninguém estava olhando, como não estavam, corremos percorrendo a quadra, pois era o lugar onde não havia câmeras.
        Esperei um pouco, para retomar o folego. Em seguida, a ajudei a subir no muro primeiro, e depois desci.
        Depois de descer, corremos um pouco, para despistar algo como ‘’alunos fugitivos’’.


— O que fazemos agora? Eu não trouxe dinheiro. — disse Gabi com a respiração ofegante.
— Está tudo bem, eu sei onde conseguir. — falei.
— Vamos assaltar um banco dessa vez? — disse ela me perguntou rindo.
       Gargalhei.
— Não — respondi rindo — Vou até a loja de alguém conhecido.


       No caminho, nós conversamos com mais intensidade. Pude a conhecer ainda melhor, eu estava feliz pois era isso que eu queria desde que a conheci na biblioteca. Eu já estava de olho nela desde que a vi lendo um dos livros da saga HDO no começo do ano, mas acabei me deixando levar pelos estudos como sempre faço. Mas acabei por dar uma chance a algo diferente de livros ou estudos.
        Eu realmente sentia algo por ela, percebi isso quando vi que não conseguia ficar mais nem um dia longe dela, e nos tempos livres, eu ficava imaginando possíveis conversar que poderíamos ter. E ainda por cima, a Gabi me fazia sentir diferente, me fazia feliz e mais engraçado.

    
        Acabamos por chegar onde eu queria, a loja de joias da Aisha, minha futura madrasta e minha melhor amiga. Quando entrei, ela logo sorriu e acenou pra mim.
— Quem é? — perguntou Gabi.
— A noiva do meu pai. — falei.
— Ah sim.
       Fui até Aisha, já que não atendia ninguém no momento.
— Você não deveria estar na escola, menino? — ela me perguntou.
— Pois é, digamos que uma vontade interior me fez sair. — falei sorrindo.
       Ela cerrou os olhos mas depois riu.
— O que você quer?
— Digamos que tem uma loja de livros fazendo uma promoção ...
— Eu sabia que você não ia aguentar até sábado.
       Gargalhei alto.
— Mas você veio aqui porque? — Aisha me perguntou cruzando os braços.
Humm, digamos que eu esteja sem dinheiro. — falei fazendo bico.
        Aisha revirou os olhos, mas riu.
— Tudo bem. — ela abriu a gaveta e pegou algumas notas, me entregando em seguida.
— Muito obrigado. — beijei a bochecha dela e comecei a sair.

       Quando já estávamos fora da loja, Gabi murmurou um ‘’você é louco’’ que me fez rir novamente.
    
       Fomos até a loja, que felizmente não havia muitas pessoas. A cada livro que queríamos, eu e Gabi surtávamos. Conseguimos comprar pelo menos uns 4 para cada um, o que pra mim ainda era pouco.

       Em seguida, fomos para uma sorveteria e pedimos dois sorvetes de coco, já que esses jogavam coco ralado por cima dos sorvetes.
       Depois de pagar, andamos até um parque que ficava perto e sentamos na grama. Colocando os livros um pouco distantes, mesmo que eles estavam com sacolas, era sempre bom prevenir para que eles não se sujassem.
    
        Conversamos sobre várias coisas novamente, a essa hora, o céu já estava nublado e quase escurecendo. Lembrei que hoje haveria ensaio da banda, o que me fez ficar ansioso. Porém, continuamos a conversar, e chegamos no assunto dos relacionamentos dos nossos amigos, e os zuamos por eles serem tão complicados para resolver a vida amorosa.
— Já que tocamos nesse assunto, eu queria falar uma coisa.
— Diz.
        Ela me encarou nos olhos por longos segundos, mas apenas aquela frase havia me deixado mais curioso do que o normal.
— Humm, não deixa. Não é uma boa hora.
— Não não não, fala por favor. — falei juntando minhas mãos.
       Gabi riu.
— Não, sério esquece. — disse ela rindo.
— Aaah não, você vai falar sim. — falei a atacando com cócegas.
        Ela ria freneticamente me pedindo para parar. Mas quando parei, percebi que estávamos perto demais.
        Eu podia sentir a respiração dela batendo em meu rosto. Será que eu deveria fazer isso? Era algo que eu queria faz um tempo, mas tinha medo da reação da garota.
        Mas ignorei os pensamentos negativos e passei minha mão até sua nuca, a puxando para mim, fazendo nossos lábios roçarem um no outro. Eu ainda continuava com um pouco de medo do que aconteceria depois, mas ela logo passou a mão e acariciou meu rosto, me correspondendo e correspondendo o beijo.
       Uma onda de felicidade repentina me atingiu, me fazendo aprofundar o beijo. Eu não era bom me expressando com palavras, então esperava que havia conseguido demonstrar com o beijo. Mas a felicidade era ainda mais porque ela não havia me parado, pelo contrário.
       Ficamos vários minutos assim, até pararmos por conta da falta de ar.
— Acho que devo fazer cócegas em você mais vezes. — falei.
       Ela riu para mim, mostrando os dentes. Fazendo meu coração acelerar ainda mais.
— Você não precisa me fazer cócegas para me beijar.
— Ainda bem.
       Rimos e ficamos nos encaramos por alguns minutos. Olhei para o céu e vi que logo já seria de noite.
       Me levantei e estendi as mãos para ela, a ajudando a levantar.
— Vem, a gente precisa voltar.


     No caminho para o colégio, tomei coragem e passei os braços nos ombros dela, a puxando para mim.
     Continuamos rindo e brincando um com o outro até chegar ao prédio escolar, que conseguimos entrar sem nenhum problema.
     Nos despedimos no corredor e fomos ambos para nossos quartos.


     Quando cheguei no meu, Isaac assistia algo no computador.
— Onde você estava? — ele me perguntou com um tom de irritação.
— Calma mamãe. — falei e ele me jogou uma toalha.
— Vai tomar seu banho logo, tá quase na hora do ensaio. — disse Isaac sem tirar os olhos do computador.
       Ri dele e fui para o banheiro. Eu não conseguia parar de sorrir, quase escorreguei no banho quando cantava uma música qualquer.
       Depois do banho, vesti minha roupa e me arrumei rapidamente. Em seguida, Isaac e eu fomos direto para a sala de música, onde acontecia os ensaios.
       Só faltava nós dois para começar, então assim que chegamos os superiores começaram a falar o que teríamos que fazer.

       Cantamos vários covers para testar mais nossa voz, que para o treinador, estava perfeita e nos cobriu de elogios. Mas quando disse que na semana seguinte teríamos que ensaiar os passos da coreografia, vi nossa expectativa ir lá em baixo. Mas em seguida, fomos liberados.


       Eu mal poderia esperar para o que aconteceria daqui pra frente, os rumos que tudo estava seguindo estava muito melhor do que eu esperava.

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