sábado, 13 de agosto de 2016

Fanfic - Unbroken


1º Capítulo -  Projeto.

      Eu suava frio, mas todo o meu corpo estava quente e irradiando energia — ou cansaço, não consegui diferenciar pela emoção—.
      Todos os outros membros da banda estavam assim, eu tinha certeza. Lá em baixo, havia milhares de pessoas gritando nosso nome. Algumas sorriam e outras choravam como loucas.
      Durante o show, nós provavelmente seguimos passos e cantamos como se fosse automático. Algumas outras coisas aconteceram quase tentando nos atrapalhar. Kahal perdeu um dos sapatos enquanto dançava uma das coreografias. Miles estava enfeitado de presentes jogados pelas fãs, parecendo uma árvore de Natal versão Kawaii e as vezes errava alguns passos.
      Naquele momento, eu não conseguia pensar em nada além de ''como eu cheguei até aqui''. Porque eu não imaginava que aquele projeto me faria chegar até esse palco.
      Eu respirava ofegante, mas deu um longo suspiro e disse um ''obrigado'' á todos. O que provocou mais uma grande gritaria.

      Tudo começou com um projeto da escola. Todos os funcionários sabiam que nós alunos gostávamos muito de música. Fato que originou a Rádio da escola, tendo músicas no intervalo das aulas.
      Em um dia normal, eu estava a caminho para a casa de Thomas, meu melhor amigo. Nosso grupo teria que se reunir para fazer um trabalho de Biologia, no qual valia oito pontos.
      Meu irmão, Isaac, comentava alguma coisa do meu lado no qual eu ignorava pois estava na minha música preferida, e não estava nem um pouco de vontade de tirar os fones. Apenas assentia e murmurava um ''uhum'' fingindo prestar atenção.
      Curvando a esquina, pude ver Thomas com seu pai e uma mulher que eu não conhecia na frente de sua casa, carregando várias caixas para dentro.
      A roupa dos três estava suada, assim como eles. Thomas nos viu e acenou para nós. Ele murmurou algo para o pai e a mulher e veio até mim.
— Ei. — Disse ele ofegante.
— Me diga que você não chamou a gente aqui para carregar caixas. — Disse Isaac.
— Não. — Thomas riu — É para o trabalho mesmo.
— Então ... o que você está fazendo carregando caixas? — Perguntei.
— Ah, isso é ...
     Ele respirou fundo. Mesmo cansado, percebi que ele estava feliz e não parava de sorrir.
— A noiva do meu pai está se mudando para cá.
     Consegui entender a felicidade. Thomas havia perdido a mãe por uma doença terminal quando ainda era uma criança. Depois do acontecimento, ele e o pai ficaram arrasados por anos pela perda. E durante as férias de final do ano, o pai dele havia conhecido uma mulher enquanto viajava. Pelo o que me parece, os dois se apaixonaram e agora estão noivos.
    Thomas estava conseguindo o que queria por anos, uma família.
— Ah certo. — Disse Isaac. — Então assim, a gente vai ficar aqui esperando vocês terminarem e depois nós fazemos o trabalho.
    Ri da atitude do meu irmão, mas fui até a frente e peguei uma das caixas.
— Ah, não precisa Max. — disse Thomas tentando me impedir.
— Me diga onde eu coloco isso.
    Ele riu fraco, e pediu para que eu colocasse na sala mesmo. Repeti isso mais umas 7 vezes, até todos acabarem. Ao contrário deles, eu não suava.
    Thomas disse que iria tomar um banho para começar o trabalho.
    Fui lá fora e chamei Isaac para dentro, ele estava jogando N.O.V.A no celular.
    Depois de alguns minutos sentados no sofá. A noiva do pai de Thomas apareceu, já arrumada e com o cabelo lavado.
    Ela era bem bonita para uma mulher de quase 40 anos. Cheirava como alguns dos cremes importados que minha mãe tem. Seus cabelos são castanho-escuros, e os olhos eram da cor de um doce de leite ou caramelo. A pele era clara e não tinha tantas rugas, apenas no canto dos olhos.
— Ei. — Ela veio até mim e estendeu a mão. — Queria agradecer por ter nos ajudado com as caixas.
— Por nada. — Falei a cumprimentando.
— Meu nome é Aisha. — Dessa vez cumprimentou Isaac que finalmente havia largado o celular e deu um sorrisinho — Creio que já sabem que sou a noiva do pai do Thomas.
— Sim, ele nos falou. — Falei colocando a mão nos bolsos do moletom.
Nós vamos fazer uma pequena festa de comemoração, se vocês puderem ficar aqui para comer. — Disse Aisha.
    Eu ia recusar, pois era algo para a família deles. Mas os olhos de Isaac brilharam.
— É claro, caramba muito obrigado. — Respondeu ele antes de mim.
    Revirei os olhos. Aisha apenas riu.
— Então tudo bem.
    Thomas desceu as escadas apressadamente, seus cabelos também estavam molhados e ao contrário de Aisha, o cheiro de perfume masculino exalou na sala.
— Vou arrumar a mesa para vocês. — Disse Aisha indo para a copa.
— Okay. — Respondeu Thomas.
     A porta da casa dele se abriu e Thomas foi ajudar Aisha a arrumar.
— Ô lá lá lá lá ô, não tem terror não tem caô. — Ouvimos uma voz atrás de nós e em seguida, o som da porta se fechando — Opa! O que é tudo isso aqui?
    Era Mark, estava arrumando como sempre. Na minha opinião, ele era o mais vaidoso de nós. O garoto veio até nós desviando das caixas no chão.
— A noiva do pai de Thomas se mudou para cá. — Respondi baixo.
— Ahh tá.
    Ele pôs sua mochila no sofá e também se sentou.
— Já ouviram falar do projeto lá da escola? — Ele perguntou.
­— Qual? — Perguntou Thomas ligando o notebook.
— Aquele das bandas. Tem 7 vagas, vamo entrar?
— É que estilo de música que eles escolheram? — Perguntei.
— Eles não especificaram.
— Se pá eu entro. — Disse Isaac.
— ''Se pá'' nada, bestão. — Disse Mark — Uma vaga já é minha.
­— O que você vai tocar? — Perguntou Thomas.
— Bateria. — Respondeu ele sorrindo.
    Eu ri, Mark tocava bateria desde criança. Estar em uma banda seria como realizar o sonho dele.
— Podem vir. — Disse Thomas.
      Isaac e Mark se levantaram e foram até a mesa. Sentei do lado de Thomas e peguei as folhas em branco começando a fazer as margens. Isaac sentou do outro lado, perto de Mark, que também pegou seu notebook e começou a fazer os slides.
      Eu e Isaac estávamos responsáveis pela parte manuscrita do trabalho, Thomas com as pesquisas no livro e passando os textos e imagens do slide para Mark.
      Quando terminamos, já estava escuro lá fora. Aisha também convidou Mark, mas ele não pode ficar pois morava um pouco longe de nós e não tinha trazido nenhuma peça de roupa para ficar para dormir.
      Ajudamos a arrumar a mesa para o jantar. Logo, Aisha foi colocando as comidas. Quando estava tudo pronto, ela pediu para que Thomas chamasse os outros. Fiquei em dúvida com ''os outros''. Não era só o pai do Thomas?
      Ele subiu as escadas, ouvi ele chamando o pai e minutos depois ouvi uma risada tanto dele quanto uma feminina.
      O pai dele foi o primeiro a descer, ficou feliz em ver eu e Isaac, nos cumprimentou e me agradeceu por ter ajudado mais cedo. Ele usava uma roupa normal de casa, o que foi estranho porque eu costumava vê-lo com roupas chiques sempre quando ia a biblioteca.
      Thomas desceu alguns segundos depois, e uma garota em seguida.
      Não sei o porquê, mas fiquei rígido. Não consegui fazer movimento algum enquanto eles se posicionavam na mesa. Por algum motivo fiquei congelado. Apenas olhava atentamente para a garota do lado de Thomas.
— Ah, essa é minha nova irmã. — Disse Thomas, fazendo com que a garota fosse para a frente.
   Ela foi até nós, e nos cumprimentou sorrindo.
­— Sou Rhay.
­— Isaac.
— Max. — respondi alguns segundos depois.
     Em seguida, nos sentamos. O pai de Thomas, Adam, ficou na cabeceira enquanto Aisha se sentou do lado esquerdo junto com a filha e Thomas no lado direito, e eu ao lado de Thomas, ficando de frente com Rhay. Isaac ficou ao meu lado, com o celular na mão, jogando escondido.
     Dei uma cotovelada nele, que me olhou franzindo as sobrancelhas. Neguei com a cabeça, desaprovando a ação dele. Isaac entendeu o que eu queria dizer e guardou o celular no bolso.
     Aisha abriu a tampa das panelas, e só havia percebido o quanto estava com fone naquele momento. Ela tinha feito uma lasanha, uma pizza e em outras panelas tinham arroz e carne para quem quisesse algo diferente, e também uma vasilha com vinagrete.
     Uma vez ou outra, eu olhava para Rhay. Era involuntário, mas fazia. Ela fazia tudo delicadamente, como se tivesse medo de algo dar errado. Ela era branca como eu, tinha os cabelos ondulados e um pouco mais claros que o da mãe, ficando entre um quase loiro e um pouco arruivado. Seus olhos tinham uma tonalidade mais escura, ficando no castanho, porém brilhantes.
     Quando seu olhar se encontrou ao meu, desviei rapidamente, com vergonha. Antes que meu rosto esquentasse, resolvi puxar assunto com Thomas.
— Acho que vou fazer audição para a banda.
   Ele ainda comia um pedaço de lasanha, mas concordou com a cabeça. Depois de engolir, ele se virou para mim.
— Eu também.
     Em seguida, bebi o resto de refrigerante que estava em meu copo. Nunca havia me sentido tão cheio desde as festas de Natal.
     Aisha pediu para que Rhay a ajudasse com algo. E quando voltaram, a Aisha segurava uma tigela de mousse de chocolate.
     Pronto. Vi meu fim. Acho que quando iria embora, Isaac poderia sair me empurrando porque eu viraria uma bola de tão cheio que ficaria. Tentei dizer que eu estava cheio e que não conseguia comer mais nada, mas Aisha insistiu tanto que não quis fazer desfeita.
      Aquele mousse estava realmente muito bom, vi que Isaac conseguiu repetir. Eu daria um prêmio de ''estômago sem fundo'' para ele quando chegasse em casa.
     Na hora de ir embora, Thomas ficava me enrolando, como se quisesse que eu ficasse.
— Tem algo de errado com você? — Perguntei baixo.
    Ele pareceu ficar surpreso com a minha pergunta, e abriu e fechou a boca várias vezes.
— Ah, é que eu queria te contar um negócio.
     Nos afastamos lentamente do povo, que estavam de pé. Aproveitamos que Isaac conversava com o Sr. Adam e com Aisha e saímos de fininho.
— Conheci alguém ontem, na biblioteca. — Disse ele.
     Fiz uma cara de ''tá, idaí?'' Ele era o bibliotecário antes de passar para a escola integral, devia ter conhecido várias pessoas lá, então eu não me importava tanto.
— Uma garota.
      Ergui as sobrancelhas, surpreso. Em todo os anos de amizade que passei com Thomas, ele nunca, mas nunca mesmo falava de garotas.
   O que os hormônios fazem conosco, não?
— Wow, você falando de uma garota. — Bati palmas silenciosas.
   Ele me deu um soco de leve no ombro e comecei a rir.
— Tá, e o que que tem isso?
— Você sabe, conhecer alguém da mesma idade do sexo oposto na biblioteca é como se fosse o destino. — Disse Thomas.
— Sabia não. — Respondi sem interesse.
   Ele revirou os olhos.
— Quando se é um leitor, isso é diferente de encontros normais, é tipo, romântico.
— Ah, entendi. — Falei — Você tá começando a sentir algo por ela?
    Ele corou um pouco, mas assentiu concordando.
— Já tinha a visto antes? — Perguntei.
— Sim, ela é da nossa sala, mas eu nunca tinha conversado com ela antes.
— Quem é?
— A Gabi.
    Sorri de lado para ele, eu e Mark havíamos comentando que os dois fariam um belo casal um dia desses.
Huum. — Murmurei maliciosamente.
— Para com isso cara. — Ele colocou a mão no rosto, tentando esconder a vergonha.
— Vocês combinam.
— É eu sei, temos gostos em comum por sagas de livros.
      Ficamos alguns minutos em silêncio, fiquei fitando a irmã dele ou meia-irmã, ela ficava em um canto com o celular e o fone de ouvido. Percebi algo de semelhante entre eu e ela.
    Percebi pelo canto do olho que Thomas me encarou por alguns segundos.
— Por que você está olhando pra minha irmã? — Perguntou ele em um tom de divertimento.
    Desviei rapidamente, olhando para outros cantos da sala, por causa do nervosismo da pergunta.
— Não, eu não ... é
— Uhum, sei. — Disse ele sorrindo de lado para mim, como eu fiz antes.
    Senti meu rosto esquentar, e fitei a janela. Esperando que Thomas ignorasse o que havia acontecido.
— Ela tem uns problemas de se socializar. — Disse Thomas — Mas se quiser ser amigo dela vai ser fácil.
— Por que? Ela não tem nenhum?
— Tem uma, que era vizinha dela. A Ana, da nossa sala.
— E só?
— Bom, tem eu. Acho que isso é o melhor que se pode ter. — disse ele, colocando a mão no peito.
    Ri dele.
­— Convencido. — Falei, nós rimos.
— Vai lá falar com ela. — Disse Thomas.
    Senti meu coração acelerar.
— Não não, deixa pra outra hora.
— Ah, por que? — Disse ele me empurrando na direção da Rhay. — Vamos.
— Não cara, calma aí.
     Faltava poucos metros até Rhay, e eu não conseguia disfarçar o nervosismo. Ainda bem que ela estava distraída com alguma coisa no celular.
    Desviei, e Thomas quase caiu para a frente. Em seguida, ele começou a rir de mim.
— Vem Isaac, tá ficando tarde. — Falei alto e rapidamente. Precisava sair dali o mais rápido.
— Tá já vou.
     Isaac começou a se despedir rapidamente de todos e acabei fazendo o mesmo. Thomas se despediu de nós ainda rindo.
    Só quando estávamos atravessando a rua, que percebi que estava prendendo o ar.
— O que foi cara? — Perguntou Isaac.
— Hã, nada.
— Mano, eu comi tanto que vou ficar com medo na hora de cagar isso tudo.
    Levei as mãos ao rosto.
— Isaac, tem certas coisas que você não deveria falar, tá ligado?
   Ele começou a rir.
— Foi mal. Ah, você vai fazer a audição pra banda? — Ele perguntou pegando o celular no bolso e desbloqueando.
— Sim.
— Então eu vou fazer também.
   Franzi as sobrancelhas.
— Vai só por que eu vou?
— Não, é que eu me sentiria meio estranho se você não fosse. Tipo deslocado.
— Mas teria o Thomas e o Mark. — Falei.
— Eu sei, mas você é meu irmão. Consigo me sentir melhor em um lugar quando tem você.
    Passei minhas mãos pelo cabelo dele, fazendo o ficar bagunçado.
— Ownt, que gay. — Falei sorrindo.
— Seu bosta. — Disse ele.
    Então, entramos na casa rindo. Meus pais estavam no sofá. Minha mãe estava com o controle na mão e vidrada na TV, assistindo a novela. Já meu pai, dormia no colo da minha mãe.
— Ei mãe. — Falamos em uníssono enquanto entravámos na sala.
    Ela desviou rapidamente o olhar da televisão para nós.
— Ei meus filhos. — Disse ela docemente.
     Me aproximei deles ficando perto do sofá, minha mãe beijou minha bochecha e voltou a atenção para a novela.
— Estava bom lá? Isaac avisou seu pai que chegariam tarde.
— Ah tá, foi bom sim.
— E aí, ela é legal? — Perguntou minha mãe.
— É sim, tenho certeza que ela vai cuidar bem de Thomas. — Falei.
    Minha mãe sorriu, se preocupava tanto com Thomas quanto como nós.
      Olhei para o relógio que marcava 22:34 e fui escovar meus dentes e tomar um banho. Depois fui á cozinha pegar um copo de água.
     Fui até a sala novamente, passava um show de alguma banda. Minha mãe balançava a cabeça com o ritmo da música. Coloquei o copo na pia e saí.
— Boa noite mãe.
— Boa noite. — Ela respondeu.
     Subi ás escadas e entrei no quarto. Isaac assistia Flash na Netflix pelo Notebook, com a luz desligada. Porém tive que ligar para arrumar a minha cama.
     Peguei meu celular e fui checar se tinha alguma mensagem. Nenhuma. Já fiquei acostumado, há algum tempo comecei a perceber um certo desinteresse de Jess, minha namorada, sobre mim. Para falar a verdade nem me importava mais, se ela quisesse terminar eu aceitaria de bom agrado, pois seria o fim da maioria dos meus problemas.
     Fui até o criado-mudo e peguei meu livro de geografia. A matéria não é difícil, só que como o conteúdo fala de rochas, eu quase nunca presto atenção porque pra mim é entediante. Por isso, eu revisava tudo só para tentar lembrar de algo.
     Comecei a arrumar minha mochila. Como a escola é integral, ficamos apenas o final de semana em casa. E amanhã mesmo eu teria que voltar a rotina.
    Assisti alguns episódios com Isaac, mas depois caí no sono. Amanhã seria um grande dia.



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